O evento de lançamento da Rede Confluência Marginal realiza seminário sobre educação, direitos humanos e participação juvenil
No dia 4 de julho de 2026, marcando o lançamento oficial da Rede Confluência Marginal (Rede COM), foi promovido, no Cuca José Walter, o seminário “Das Ruas às Escolas: A Educação que Nasce do Território”. O encontro reuniu juventudes periféricas, educadores, lideranças comunitárias e representantes da sociedade civil para debater educação, direitos humanos e participação social.
Segundo Joice Forte (Coordenadora do Núcleo de Formação do CEDECA Ceará), desde 2017, o CEDECA Ceará atua na formação de coletivos de adolescentes e jovens nos territórios mais impactados pela violência em Fortaleza: Grande Bom Jardim, Grande Pirambu, Grande Jangurussu e Ancuri. Ao longo desse percurso, esses coletivos se fortaleceram, ampliaram sua atuação nos territórios e passaram a incidir na construção de políticas públicas para Fortaleza, consolidando-se, assim, na Rede Confluência Marginal.
Atualmente, integram a Rede COM os coletivos Alium Resistência, Meraki do Gueto, Olhares Marginais, Quebramar REC, Raízes do Bom Jardim, Revide, Semente Vyva, SouLest e TruP’irambu, que atuam nos territórios do Curió, Grande Bom Jardim, Grande Pirambu, Grande Jangurussu e Pici. Em comum, os grupos compartilham a defesa da participação juvenil como elemento fundamental para a construção de uma política de segurança pública popular, baseada na garantia de direitos e no fortalecimento do bem viver nas periferias.
Para Inaiê Arariú (Olhares Marginais), “o lançamento da rede expressa o desejo de que, no futuro, essa articulação possa se expandir para outros territórios da cidade, fortalecendo processos de educação e conscientização política sobre as diversas formas de violência que atingem as juventudes nesses espaços”, enfatiza.
Educação como pauta urgente
Inspirada no pensamento do intelectual quilombola Nego Bispo, a Rede COM nasce da confluência entre diferentes experiências de organização popular em territórios marcados pela violência, pela desigualdade social e pela negação de direitos. Desde 2024, a rede vem fortalecendo processos de formação política, pautando enfrentamento ao Racismo, orçamento público e saúde mental. Atuando com mobilização comunitária, acesso de direitos para dentro do território e articulação entre juventudes. O intuito é construir coletivamente propostas para uma cidade mais justa e democrática, resultado este que nasceu a vontade de construir e realizar o seminário pautando educação e juventudes.
A educação foi escolhida como tema central do seminário por estar diretamente ligada às experiências das juventudes que compõem a Rede COM. Muitos dos participantes ainda estão na escola ou concluíram recentemente o ensino médio, convivendo diariamente com desafios relacionados ao acesso, à permanência e à qualidade da educação.
Para Tamara Cristina (Meraki do Gueto) “dialogar sobre educação é importante para aprender a como cobrar essa política pública educacional, de modo a ampliar a possibilidade de futuro, ocupando as universidades, as escolas, as creches com vagas. Então,é falar de uma política pública nossa”, finaliza.
Apesar dos avanços educacionais registrados no Ceará, persistem desigualdades que afetam de forma mais intensa jovens negros, moradores das periferias, povos indígenas e outros grupos socialmente vulnerabilizados. Além disso, temas como raça, gênero, sexualidade, diversidade e direitos humanos ainda encontram pouco espaço em muitas escolas.
Diante desse cenário, o seminário propôs discutir como as experiências educativas construídas nos territórios podem contribuir para uma formação mais crítica, democrática e inclusiva. Compuseram a mesa de debate Joice Forte (CEDECA Ceará), Julyane Leão (INEGRA), Ingrid Rabelo (Coordenação Colegiada do Fórum DCA), Melanie Jô Costa (Coletivo Gueto Queen) e Renato Pedrosa (TDH Brasil). A programação abordou temas como educação antirracista, diversidade, educação ambiental, direitos humanos e participação juvenil nos processos educacionais.
O evento contou ainda com a apresentação da peça teatral Garrafão, que aborda as problemáticas sociais vivenciadas por quatro brincantes em seus cotidianos, e a discotecagem da DJ Nayna (Quebramar Rec).
